A Bíblia
Acreditamos na inspiração verbal plenária do cânon tradicional das Escrituras; que tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento são a infalível Palavra de Deus em todas as questões de vida e doutrina; que a Bíblia é completamente relevante hoje para todas as áreas da experiência humana porque é viva e ativa; que a Bíblia é a autoridade exclusiva e única para fé e estilo de vida; e que os autógrafos originais não contêm erros. Confessamos que tanto nossa finitude quanto nossa pecaminosidade impedem a possibilidade de conhecer exaustivamente a verdade de Deus, mas afirmamos que, iluminados pelo Espírito de Deus, podemos conhecer verdadeiramente a Verdade revelada de Deus. A Bíblia deve ser crida, como a instrução de Deus, em tudo o que ela ensina; obedecida, como mandamentos de Deus, em tudo o que requer; e confiada, como penhor de Deus, em tudo o que promete. À medida que o povo de Deus ouve, crê e obedece à Palavra, ele é equipado como a coletividade de discípulos de Cristo e testemunhas do evangelho (1 Co 2:13; 2 Tm 3:16; Hb 4:12; 2 Pe 1:21).
O Deus Trino
Cremos em um só Deus, que existe eternamente em três pessoas igualmente divinas: Pai, Filho e Espírito Santo, que conhecem, amam e glorificam um ao outro. Este único Deus verdadeiro e vivo é infinitamente perfeito, tanto em seu amor quanto em sua santidade. Ele é o criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, sendo assim, digno de receber toda a glória e adoração. Imortal e eterno, ele conhece perfeita e exaustivamente o fim desde o princípio, sustenta e governa todas as coisas e promove seus bons propósitos eternos de redimir para si um povo e restaurar a criação caída, para o louvor de sua gloriosa graça. (Dt 6:4, Is 43:10, Mt 3:16-17, Jo 10:30, Jo 17:3, 2Co 13:14, Mt 28:19, Jo 14:26).
Jesus, o Cristo
Ele é uma pessoa distinta do Pai e do Espírito Santo, mas da mesma substância, duas naturezas em uma pessoa (divina e humana). Cremos que Jesus Cristo é Deus de Deus, o Filho de Deus, que se encarnou como homem, nasceu de uma virgem, e realizando a obra da redenção foi crucificado, foi sepultado, ressuscitou, teve seu corpo glorificado, e está sentado à direita de Deus nas alturas (Mt 1:20; Mc 16:19; Jo 1:1,14; 3:16; 20:1-2; 1 Co 15:3-5; Hb 2:17; Gl 4:4; Fl 2:8; 1 Pe 3:22, At 2:36).
O Espírito Santo
Ele é uma pessoa distinta do Pai e do Filho, Deus de Deus, enviado pelo Pai para equipar o Corpo de Cristo com graça para o trabalho. Em tudo que ele faz, Ele glorifica a Cristo. Ele convence o mundo do pecado, regenera os pecadores, e nEle eles são batizados em união com Cristo e adotados na família de Deus. O Espírito Santo é recebido na salvação e nos ajuda em nossas fraquezas, capacitando-nos a viver uma vida de vitória contra o pecado, ousada, semelhante a Cristo (Jo 14:16-26; Rm 8:9-26; Ef 4:30; 1 Co 12:7-11; Hb 10:29, ).
A Criação da Humanidade
Cremos que Deus criou os seres humanos, macho e fêmea, à sua própria imagem. Adão e Eva pertenciam à ordem criada que o próprio Deus declarou ser muito boa, servindo como agentes de Deus, cuidando, gerenciando e governando sobre a criação, vivendo em santa e dedicada comunhão com seu Criador. Homens e mulheres, igualmente criados à imagem de Deus, gozam de igual acesso a Deus pela fé em Cristo Jesus e são chamados, ambos, a se moverem além da autoindulgência passiva para um envolvimento significante privado e público na família, igreja e vida cívica. Adão e Eva foram feitos para complementar um ao outro em uma união de uma só carne, que estabelece o único padrão normativo de relações sexuais para homens e mulheres, de forma que o casamento sirva como uma tipificação da união entre Cristo e sua Igreja. Nos sábios propósitos de Deus, homens e mulheres não são simplesmente intercambiáveis, mas sim, se complementam de formas mutuamente enriquecedoras. Deus ordena que eles assumam papéis distintos que refletem o relacionamento de amor entre Cristo e a Igreja, o marido exercendo papel de cabeça, de maneira a demonstrar o amor carinhoso e sacrificial de Cristo e a esposa se submetendo ao seu esposo, de maneira a mostrar o amor da igreja por seu Senhor. No ministério da igreja, ambos, homens e mulheres, são encorajados a servir a Cristo e a desenvolver todo seu pleno potencial nos múltiplos ministérios do povo de Deus. O papel de governo da igreja (presbitério), que é dado a homens qualificados, é fundamentado nas Escrituras, não devendo ser desviado por apelos a desenvolvimentos culturais. (Gn 2:24 5:2; Mt 19:4-5; Ef 5:25; 1 Pe 3: 7, Rm 1:24-27).
A Queda
Cremos que Adão, feito à imagem de Deus, distorceu essa imagem e perdeu a sua bênção original, para si e toda sua descendência, ao cair em pecado pela tentação de Satanás. Como resultado, todos os seres humanos estão alienados de Deus, corrompidos em todo aspecto de seu ser (isto é, fisicamente, mentalmente, volitivamente, emocionalmente, espiritualmente) e condenados, final e irrevogavelmente, à morte, a não ser pela intervenção graciosa do próprio Deus. A necessidade suprema de todo ser humano é ser reconciliado ao Deus sob cuja justa e santa Ira nos encontramos; a única esperança de todo ser humano está no amor imerecido deste mesmo Deus, o qual unicamente pode nos resgatar e restaurar para si. (Is 53:6, Rm 5:18-19).
A Salvação e a Obra de Cristo
A esperança de redenção da humanidade caída só é possível através do sangue derramado de Jesus Cristo e sua obra na cruz. A redenção oferecida à humanidade pela obra de Cristo deve ser recebida pelo arrependimento para com Deus e pela fé em Cristo que derramou seu sangue. Aqueles que recebem a oferta da graça de Deus pela fé são nascidos de novo, justificados, regenerados, adotados na família de Deus, feitos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, cheios do Espírito Santo, e são participantes da vida eterna. (Jo 3:3; At 4:12; Ef 1:7; Rm 5:10; 8:14-17; 10:9-10; Tt 3:5-6).
O Evangelho
Cremos que o Evangelho é as boas-novas de Jesus Cristo, a própria sabedoria de Deus. Completa loucura para o mundo, ainda que seja o poder de Deus para aqueles que estão sendo salvos, essas boas novas são cristológicas, centradas na cruz e na ressurreição: o evangelho não é proclamado se Cristo não for proclamado, e o Cristo autêntico não terá sido proclamado se sua morte e ressurreição não forem centrais (a mensagem é: “Cristo morreu pelos nossos pecados… e ressuscitou”). Essa boa nova é bíblica (sua morte e ressurreição são de acordo com as Escrituras), teológica e salvífica (Cristo morreu pelos nossos pecados para nos reconciliar com Deus), histórica (se os eventos salvadores não tivessem acontecido, nossa fé seria vã, ainda estaríamos em nossos pecados e seríamos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão), apostólica (a mensagem foi confiada aos apóstolos e transmitida por eles que eram testemunhas desses eventos salvíficos) e intensamente pessoal (quando ela é recebida, crida e firmemente retida, pessoas são individualmente salvas). (1Jo 1:1, Jo 3:18, Rm 1:16, Mc 16:15-18, At 13:32, Cl 1:5, 23, 27).
A Redenção por meio de Cristo
Cremos que, movido pelo amor e em obediência ao Pai, o Filho eterno tornou-se humano: o Verbo se encarnou, plenamente Deus e plenamente ser humano, uma Pessoa em duas naturezas. O homem Jesus, o Messias prometido de Israel, foi concebido pela milagrosa atuação do Espírito Santo e nasceu da virgem Maria. Ele obedeceu perfeitamente ao seu Pai celestial, viveu uma vida sem pecado, realizou sinais e milagres, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, ressuscitou corporalmente da morte ao terceiro dia e ascendeu ao céu. Como Rei mediador, ele está assentado à destra de Deus Pai, exercendo no céu e na terra toda a soberania de Deus, é nosso Sumo Sacerdote e justo Advogado. Cremos que por sua encarnação, vida, morte, ressurreição e ascensão, Jesus Cristo agiu como nosso representante e substituto. Ele o fez para que nele fôssemos feitos justiça de Deus: na cruz ele cancelou o pecado, propiciou a Deus e, carregando toda a penalidade de nossos pecados, reconciliou com Deus todos os que creem. Por sua ressurreição, Cristo Jesus foi vindicado por seu Pai, quebrou o poder da morte e venceu Satanás, que anteriormente tinha poder sobre ela, e trouxe vida eterna a todo seu povo; por sua ascensão, ele foi para sempre exaltado como Senhor e nos preparou um lugar para estarmos junto dele. Cremos que a salvação não está em nenhum outro, porque não há nenhum outro nome dado debaixo do céu pelo qual sejamos salvos. Porque Deus escolheu as coisas humildes deste mundo, as desprezadas, as coisas que não são, para anular as coisas que são, nenhum ser humano poderá se vangloriar diante dele: Cristo Jesus tornou-se para nós sabedoria de Deus, ou seja, nossa justiça, retidão, santidade e redenção. (Cl 1:13, 14, 20; Hb 9:14).
A Justificação
Cremos que o Cristo, de acordo com as Escrituras, se manifesta como Rei e representante da humanidade (último Adão), e como o tal toma sobre si as consequências do pecado. Através de sua vida perfeita, morte e ressurreição, Ele cumpre todas as exigências da lei em favor do seu povo. Sua morte na Cruz é para sempre um sacrifício suficiente oferecido a Deus pelas nossas transgressões, indo além disso é também o ápice de sua vitória sobre o pecado, e sobre as autoridades e forças malignas que imperavam sobre a humanidade. Ele levou sobre si o peso dos nossos pecados, as consequências da nossa maldade, e a punição que nos era devida, e dessa forma nos libertou da escravidão do egoísmo, satisfez plenamente a ira de Deus contra o pecado e reconciliou os pecadores com o Pai Pela fé, os que creem nele são incorporados ao seu corpo místico, se tornando assim participantes de sua morte e ressurreição, de sua justiça e santidade, sendo assim justificados e reconciliados com Deus. Sua justiça é imputada a nós através de nossa união total com ele por meio do Espírito.
A fé que nos une a Cristo não é uma adesão intelectual a certos dogmas, mas uma entrega total de nossa vida a seu Senhorio, a justificação resultante disso é mais do que um ato legal, é uma realidade transformadora, que leva a uma forma de vida como a d’Ele. (1Co 15:3-4, 21-22, 45; 2Co 5:14-19; Gl 5:23; Hb 10:10; Cl 2:11-15; Is 53; Rm 1:6, 4:4-5, 5:8-11, 6:3; 10: 9-13).
O Poder do Espírito Santo
Cremos que esta salvação, atestada em toda a Escritura e assegurada por Jesus Cristo, é aplicada ao seu povo pelo Espírito Santo. Enviado pelo Pai e pelo Filho, o Espírito Santo glorifica o Senhor Jesus Cristo e, como outro paracleto, está presente em e com aqueles que creem. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo e, por sua obra poderosa e misteriosa, regenera pecadores espiritualmente mortos, despertando-os para o arrependimento e a fé; nele são batizados em união com o Senhor Jesus, de modo tal que são justificados diante de Deus somente pela graça e pela fé, em Jesus Cristo. Pelo Espírito, os crentes são renovados, santificados e adotados na família de Deus, participam da natureza divina e recebem os seus dons que são soberanamente distribuídos. O próprio Espírito Santo é o penhor da herança prometida e, nesta presente era, habita, dirige, guia, instrui, equipa, renova e capacita os crentes para viverem e servirem como Cristo. (Jo 15:26, 2Co 3:5, Jo 3:3-5, Tt 3:5-6, 1Co 3:16).
O Reino de Deus
Cremos que aqueles que foram salvos pela graça de Deus mediante a união com Cristo, pela fé e pela regeneração do Espírito Santo, entram no Reino de Deus e desfrutam das bênçãos da nova aliança: o perdão dos pecados, a transformação interior, que desperta um desejo por glorificar, confiar e obedecer a Deus, e a expectativa da glória que ainda será revelada. As boas obras constituem evidência indispensável da graça salvadora. Vivendo como sal em um mundo que se deteriora e luz em um mundo escuro, os crentes jamais deverão se afastar em reclusão do mundo, nem se tornar indistinguíveis dele; pelo contrário, devemos fazer o bem à cidade, para que a glória e honra das nações sejam oferecidas ao Deus vivo. Em reconhecimento a quem pertence esta ordem criada e porque somos cidadãos do reino de Deus, devemos amar nosso próximo como amamos a nós mesmos, fazendo o bem a todos, especialmente aos que pertencem à família de Deus. O Reino de Deus, já presente, mas ainda não plenamente consumado, é o exercício da soberania de Deus no mundo em direção à futura redenção de toda a criação. O Reino de Deus é um poder que invade e despoja o tenebroso império das trevas, regenerando e renovando, mediante arrependimento e fé, a vida dos indivíduos resgatados daquele império. Portanto, ele inevitavelmente estabelece uma nova comunidade de seres humanos que estão juntos debaixo de Deus. (Cl 1:13; Mt 4:17; Mt 12:28; Hb 12:28; Mt 6:9-10; Rm 14:17; Mt 25:34; Lc 17:20-21).
A Igreja - O Povo de Deus
Acreditamos que a Igreja é o Corpo de Jesus Cristo, que é sua Cabeça, sua extensão, a plenitude daquele que preenche tudo em todos, a assembleia do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. A Igreja é composta por todos aqueles que foram justificados pela graça de Deus através da fé somente em Cristo. Essa igreja universal e invisível se manifesta em igrejas locais caracterizadas por sua natureza doxológica, logocêntrica, pneumodinâmica, pactual, confessional, missional, espaçotemporal escatológica. A igreja é distinguida pela mensagem do Evangelho, suas sagradas ordenanças, sua disciplina, sua grande missão e, acima de tudo, por seu amor a Deus e pelo amor de seus membros uns pelos outros e pelo mundo. De modo crucial, esse evangelho que amamos possui dimensões pessoais e também corporativas, sendo que nenhuma delas deve ser ignorada. Cristo Jesus é nossa paz: ele não somente trouxe paz com Deus, como também paz entre povos antes alienados. Seu propósito era criar em si uma nova humanidade, fazendo a paz, e reconciliando ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. A igreja serve de sinal do futuro novo mundo de Deus, quando seus membros vivem em serviço uns pelos outros e pelo próximo, em vez de viverem focados em si mesmos. A igreja é a habitação corporativa do Espírito de Deus e a testemunha contínua de Deus no mundo. (1Co 12:12-13, Ef 2:19, 3:10-11; 4:11-13, Mt 16:18, Mt 28:19, Hb 10:24-25).
O Batismo e a Ceia do Senhor
Acreditamos que o batismo e a Ceia do Senhor são meios de graça ordenados pelo próprio Senhor Jesus, nos quais experimentamos a presença e o poder redentor de Cristo de maneira tangível. O batismo marca a entrada de uma pessoa na comunidade da nova aliança, não apenas como indivíduo, mas como parte do corpo de Cristo. Na Ceia, em particular, nos reunimos como o povo de Deus para celebrar a morte e ressurreição de Jesus, proclamando sua vitória sobre o pecado e a morte. Neste ato, renovamos nosso compromisso com o senhorio de Cristo e antecipamos com alegria sua volta e a consumação de todas as coisas, quando nos sentaremos à mesa do banquete celestial com ele. Juntos são simultaneamente o penhor de Deus a nós, meios de graça divinamente ordenados, nosso voto público de submissão ao Cristo uma vez crucificado e agora ressurreto e a antecipação de sua volta e da consumação de todas as coisas. (Gl 5:27; Cl 2:12-13; 1 Pe 3:21-22; Mt 28:18 ; Lc 22:19-20; Mt 28:18-20; 1 Co 11:23-26).
A Restauração de Todas as Coisas
Cremos na volta pessoal, gloriosa e corporal de nosso Senhor Jesus Cristo com seus santos anjos, quando ele exercerá seu papel final de Juiz e seu reino será consumado. Cremos na ressurreição do corpo de ambos, justos e injustos: os injustos para o juízo e castigo eterno no inferno, como ensinou o próprio Senhor, e os justos para a bênção eterna na presença daquele que está assentado no trono e do Cordeiro, no novo céu e nova terra, habitação de justiça. Naquele dia, a igreja será apresentada sem mácula diante de Deus pela obediência, sofrimento e triunfo de Cristo, todo pecado será expurgado e seus efeitos nefastos banidos para sempre. Deus será tudo em todos e seu povo será envolvido por sua imediata e inefável santidade, e tudo será para o louvor de sua gloriosa graça. (Jo 10:28, 1Co 15:51-52, Mc 16:16, 2Ts 1:8-10).
Texto da Intro à Família Betânia.