Ir para o conteúdo
Domingos às 10hRua dos Rouxinóis, 9, loja 01, Morada de Laranjeiras, Serra, ES

Vida da Igreja

Como vivemos

Nos capítulos anteriores falamos sobre o que cremos a respeito das escrituras e da igreja. Neste capítulo falaremos a respeito de como nos organizamos como igreja local, no esforço de viver essas verdades e ver a vida orgânica da igreja de Cristo florescendo.

A vida da Igreja materializa o Evangelho

Toda comunidade local centrada no Evangelho tem como consequência uma vida de igreja saudável. Portanto, é a saúde da vida comum da igreja o verdadeiro termômetro de nossa centralidade no Evangelho.

A vida da Igreja aponta para a sociedade do novo céu e nova terra. Ou seja, a vida da Igreja, uma família de muitos irmãos que estão se tornando semelhantes a Jesus, é tudo o que se pode ver do novo céu e nova terra. Na vida da Igreja vemos a nova sociedade de Deus, de maneira que a forma que vivemos aqui antecipa o que viveremos no mundo vindouro. A vida da Igreja é o elemento mais próximo e visível do cumprimento do eterno propósito de Deus no presente, de sorte que, nosso desafio não é tentar ser família, mas descobrir o que é ser família e permanecer sendo família.

Compromissos necessários à vida comum da Igreja

Abra sua casa (ter comunhão de casa em casa): Embora pareça simples, muitos frequentam cultos regularmente, mas raramente abrem suas casas para outros irmãos. A frequência nos cultos deve nos conduzir à mesa, onde podemos compartilhar nossas vidas e fortalecer nossas relações, crescendo em comunhão.

Abra sua vida (entranháveis afetos): Abrir a casa é apenas o primeiro passo para abrir nossas vidas. Ao permitir que nossa intimidade seja descoberta e nossas lutas sejam expostas e tratadas, cultivamos a unidade do Espírito e manifestamos o caráter familiar da Igreja de Cristo.

Seja responsável por seu irmão: A Igreja é uma comunidade de pastores, onde todos devem assumir responsabilidade e cuidado mútuo. Isso significa incluir nossos irmãos na forma como organizamos nossas finanças, tempo e energia. Apascentar as ovelhas do Senhor é um mandamento para todos que O amam profundamente (Jo 21:16).

A Igreja como organismo organizado

Em 1 Coríntios 3, Paulo compara a Igreja com uma lavoura e um organismo (1Co 3:9), de modo que a Igreja precisa ser vista como um organismo (lavoura) organizado (edifício). Essas duas metáforas se complementam, pois a Igreja enquanto organismo consiste no fluir da vida do Espírito que se move entre suas partes, enquanto que seu aspecto organizado consiste no empenho em ordenar e viabilizar, de acordo com os parâmetros bíblicos, o fluir da vida do Espírito. Ou seja:

  • O organismo flui de maneira constante e sadia quando é ordenado;
  • A organização serve, não para gerar, mas para viabilizar a vida orgânica da Igreja.

Entender a Igreja como um organismo organizado é crucial para equilibrar sua vida comum com as atividades promovidas pela igreja local. A vida da Igreja flui naturalmente por meio do Espírito Santo, e a organização visa manter esse fluxo, evitando que a ação humana atrapalhe seu desenvolvimento.

As programações da igreja não têm como objetivo promover a comunhão ou garantir o engajamento dos membros, pois quem sustenta a comunhão é o Espírito Santo. Em vez disso, as atividades devem refletir e apoiar o que já ocorre espontaneamente entre os santos, sinalizando e viabilizando a obra do Espírito na comunidade.

Discipulado

A formação de Cristo em nossas vidas é inescapavelmente relacional. Não pode ser feito em uma sala de aula por meio de suposta transferência de informação neutra. O “irmão mais velho” está requerendo que o “irmão mais novo” adote não somente seus ensinos, mas também a maneira de vida que resulta necessariamente de seu ensino.

Discipulado refere-se a uma pessoa amando tanto a outra que deseja vê-la crescer, progredir e estar preparada para engajar-se na obra fiel e de longa duração que (na misericórdia de Deus) verá isso acontecer. A natureza relacional do discipulado significa que a instrução/formação acontecerá frequentemente por osmose e não por instrução formal.

Durante essa jornada, os corações tanto do discipulador quanto do discípulo são expostos. À medida que treinamos ministros da Palavra de Cristo, não medimos o progresso apenas pelo desempenho nas tarefas, mas também pela integridade do coração.

Aqueles que são discipulados precisam ver o coração de seu pastor/líder/discipulador: os pecados e confissões, os temores e a fé, as visões e as realidades, os sucessos e os fracassos. A vida e o ministério desse “irmão mais velho” são um modelo para o “irmão mais novo”, não de perfeição, mas de desejos santos em um vaso de barro. Isto exige o compartilhamento honesto e franco de nossa vida. Isso é visto com muita clareza no lar. No lar, o pastor/líder/discipulador não é mais o “cristão público”, o líder de ministério. A posição desaparece. Ele se torna, na verdade, ele é, o marido que sorri com sua mulher, o pai que lida com a filha que não quer comer o alimento que está à mesa, o cozinheiro que se realiza em seu lado criativo, o faz-tudo que conserta a torneira, o homem fatigado que assiste inexpressivamente à televisão. Ele está vivenciando a vida no Espírito no contexto mais difícil.

E, de modo semelhante, quando um pastor/líder/discipulador sábio está no lar do “irmão mais novo”, ele também está observando como esse ouve respeitosamente à sua mulher, ou ignora os filhos, ou espera ser servido, ou não pode relaxar. Tudo isto é relevante para reflexão e discussão posterior.

O discipulado cristão diz respeito à sã doutrina e a uma vida piedosa; portanto, formar ou equipar pessoas para ministrar aos outros significa equipá-las com piedade e maneira de pensar corretos, e não apenas equipá-las com um conjunto de habilidades, porque isso é, por sua vez, o modo como precisarão ministrar aos outros. Para acompanharem um novo crente, por exemplo, crentes mais maduros precisam não somente saber como seguir um conjunto básico de estudos bíblicos; precisam também ser modelos de vida e de fé cristã madura.

Texto da Intro à Família Betânia.

Encontros regulares